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sábado, 21 de setembro de 2013

Em questão da relevância de gêneros

A sexualização de personagens femininas no cinema é evidente. Valorização de curvas, sex-appeal e de todo um potencial sexual da mulher, de forma geral, são representados por personagens que permanecem no imaginário do público em forma de Mulher Maravilha, Mulher Gato e diversas outras que se tornam ícones de filmes de ação. São destemidas, corajosas, bem resolvidas, belas e possuem qualidades que qualquer mulher moderna deveria possuir. No entanto, esse “padrão feminino” de qualidade tem alguma relevância nas histórias contadas pela indústria do cinema? Essas personagens são, de fato, relevantes?

No mais, essas dúvidas se massificam quando há uma comparação dessas “heroínas” com heroínas que já conhecemos em produções brasileiras e que não seguem tal estereótipo. Zuzu Angel, Dora (de Central do Brasil) e Lisbela são algumas das personagens que marcaram o imaginário cinematográfico brasileiro e que conquistaram o público não pela sua forma sexual, mas por sua relevância no enredo. Tais personagens teriam mesma relevância caso fossem interpretadas por homens? Sandro Luis Fernandes, sociólogo e professor de Sociologia do Colégio Dom Bosco, afirma que a indústria cultural busca valorizar personagens femininas através de uma lógica comercial. Para ele, são poucas as personagens que tentam quebrar o machismo, exemplificando a Mulher Gato como uma delas. “Temos que considerar indústria cinematográfica como estúdios de Hollywood ou Globo Filmes. Então, estaremos falando de indústria cultural. Penso que, nesse tipo de produção, as mulheres normalmente têm um papel que não questiona a estrutura social. Muito frequentemente submissas ou sexualizadas”, diz. “Quando diretoras – mulheres – produzirem mais, haverá um equilíbrio maior nas representações”.

Paulo Biscaia Filho, professor da Faculdade de Artes do Paraná e diretor cinematográfico da empresa Vigor Martins, discorda dessa posição.  Biscaia não vê a escolha de gêneros para personagens como um ponto de partida, mas o valor da história a ser contada. “Tivemos filmes de ação com mulheres, alguns com aceitação melhor, outros nem tanto. São histórias verdadeiramente humanas? Não acredito em segmentação por gênero, raça, nacionalidade, etc. Acredito em bons filmes. Não importa se ele é protagonizado por um ator ou uma atriz”. O diretor vê a indústria cultural cumprir o seu papel em um mundo escapista, que vende corpos perfeitos e sonhos, os quais o público aceita com maior facilidade. “A mulher é sexualizada quase sempre e, algumas vezes, o homem também é. Achei muito interessante a sexualização do corpo de Daniel Craig em 007 Cassino Royale”, diz. “Os padrões de beleza vigentes ou, por vezes, estabelecidos pela própria indústria sempre estarão presentes como parte deste universo escapista”.

Dora, personagem de Fernanda Montenegro
em "Central do Brasil"
Biscaia comenta, ainda, que a discussão é irrelevante para ele. Ele afirma que, em suas produções, a decisão por personagens masculinos ou femininos não é tão importante quanto a relevância do enredo. Diferentemente da indústria cultural, ele enxerga a todos como humanos. “As escolhas doas personagens são unissex. Mulheres erram como homens erram. Mulheres têm virtudes como homens têm virtudes. Como nos relacionamos entre pessoas me interessa mais do que como nos relacionamos entre grupos estatísticos distintos”, diz.

Para o estudante de História de 21 anos, André Felipe Moreira da Silva, a discussão não deve ser esquecida, porque ela é vista como algo aceitável dentro da indústria cultural e os consumidores de tal. André atua em projetos sociais relacionados à violência contra a mulher e afirma que a visão masculina em torno de personagens femininas não se restringe aos meios hollywoodianos. “Esse estereótipo de mulher moderna pode ser analisado através da percepção machista de que a mulher é, e sempre será, um objeto de prazer submisso ao homem, independe das suas capacidades físicas”.

A indústria cultural, porém, não se restringe ao universo de curvas poderosas e mulheres que dependem, nem que infimamente, do universo masculino para que o enredo de qualquer história seja relevante. A cartunista americana Allison Bechdel propôs uma reflexão ao público com o teste pelo qual batizou de “Teste Bechdel”. Para fugir da naturalidade de certos paradigmas como ‘por que maioria dos personagens centrais de filmes são brancos?’ ou a falta de protagonistas mulheres, o teste propõe uma pequena reflexão ao público que vai ao cinema assistir lançamentos. O Bechdel Test mede a relevância e a presença de personagens femininas nos filmes a partir de três questões:
O filme contém:

1. Pelo menos duas mulheres com nomes?
2. Que conversam entre si?
3. Sobre coisas que não sejam um homem?

Um dos quadrinhos feitos por Allison em relação ao Teste Bechdel

Na última edição do Comic Con, Allison afirmou que o questionamento não é uma prática feminista de avaliar se o machismo ainda é presente na sociedade, etc. Para ela, muitos filmes voltados ao público feminino não são “aprovados” no teste, porque as personagens não possuem relevância alguma na história a não ser sua ocupação com outros personagens masculinos.

Em suma, fica a questão: em uma sociedade cinematográfica tão democrática, que oferece inúmeras formas de produção, interpretações e enredos, a relevância de personagens femininas ainda se restringe ao conteúdo sexual, que segue estereótipos de uma indústria cultural?

Agência Caleidoscópio para o blog Cineacademia
Por Helena Bianchi Góes e Isabela Bandeira

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Corpo, voz e mente (parte II)

O ator e o diretor de cinema na construção do personagem


No cinema, posso ver tudo de perto, e bem visto, ampliado na tela, de modo a surpreender detalhes no fluxo do acontecimento dos gestos (...) para que o espetáculo do mundo se faça para mim com clareza, dramaticidade e beleza.

Ismail Xavier


Com seu surgimento nas experiências de pioneiros como Louis Lumiére, o cinema registrava a vida e o habitual. Pessoas comuns, operários de uma fábrica, chegadas e partidas em uma estação ferroviária.  Cenas cotidianas que impressionavam os espectadores pelo fato de estarem registradas, mas não demorou a que se começasse a explorar o potencial ficcional que esta arte permitia.
 Assim, como no teatro, o cinema começava a se exibir através das faces daqueles que dedicam sua vida à arte da interpretação. No entanto, o ator teve de se adaptar, transformar seus gestos expressivos e grandiosos que tinham como único fim o olhar de sua plateia, para gestos que se tornariam recortados pelos olhos da câmera. Ismail Xavier, teórico e professor de cinema brasileiro, em sua obra "Olhar e a Cena" diz que:

"Com o cinema, a percepção humana ganhou um acesso especial à
intimidade dos processos - nele, a aparência é já uma análise. O close-up não é
o lugar do fingimento, é uma presença que revela o que se é, não o que se
pretender ser (inúteis as caretas dos atores)."

O plano close up, ou simplesmente close, é caracterizado pelo enquadramento de câmera fechado em um único assunto ao qual se quer chamar atenção, usualmente o rosto de uma pessoa. Este é sem dúvida o enquadramento que mais expõe um ator em cena, a escolha destes cortes, assim como do desenvolvimento do personagem é dada pelas mãos do diretor.
Para Luciano Coelho, cineasta curitibano e coordenador do projeto de pesquisa audiovisual Olho Vivo, a criação de um personagem no cinema se dá pelo desenvolvimento das cenas, que foram definidas no roteiro e também no trabalho entre diretor e ator. “Eu acho que o personagem começa a ser criado no roteiro, e termina de ser construído, tanto pela maneira que o diretor encara esse personagem, como também na maneira como o diretor ajuda o ator a construir o personagem”, explica.

Sobre este processo de construção do personagem, o ator  paulistano Horley Lopes, que atuou no curta “Irreversível” e em várias publicidades, separa os diretores em dois gêneros: “Existem diretores pacíficos e outros com o personagem já pront9o em sua mente. Quando ele é pacífico você cria da sua forma e ele só faz alguns ajustes. Agora, quando ele quer o personagem da sua forma, ele vai te repassando e você vai criando, e ele vai moldando”.


Anne Hathaway em "Os Miseráveis": o close é imperceptível

Extrair do ator as emoções competentes a cada cena e leva-lo a perceber os objetivos de cada momento dentro da história são alguns dos desafios do diretor, a forma de se fazer isso varia com cada profissional. Para Coelho, o diretor irá lidar com seus atores de acordo com a junção de seus estudos e também da forma como ele interage com os outros no seu dia a dia. “Um diretor não deixa de ser quem ele é quando ele lida com os atores, a forma que você lida com as pessoas é como você vai falar com os seus atores. A direção do ator é um fruto do estudo e das relações humanas,  nós aprendemos a lidar com o ser humano no dia a dia, saber como ele funciona. E acabamos levando isso para o processo de preparação de atores e para a direção no set”.

O teórico Imail Xavier, em uma palestra realizada no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro apresenta essa importância do diretor na colocação de significados para os atores, pois apenas desta forma seria possível uma atuação que realmente tivesse sentido. “Desde que a câmera esteja presente as pessoas fazem teatro, ou seja, desde que a câmera esteja presente representamos algo, deixando de ser um mero registro e tornando-se cena”, diz. Horley Lopes vê como uma das maiores dificuldades na atuação a falta de conexão com o personagem. “As grandes dificuldades são quando ele (o personagem) é muito diferente de você, pois sair e voltar ao seu cotidiano todo dia é difícil, mas enquanto não há conhecimento de verdade sobre o personagem, será muito mais complicado. Agora, quando você tem conhecimento da ideia do diretor e toma conhecimento do personagem, se torna tudo mais fácil...”.

Uma Thurman e Quentin Tarantino no set de "Kill Bill vol. 1"

No cinema, um obstáculo para os atores é a ordem das gravações, que dificilmente se dá de forma cronológica. “É comum no primeiro dia filmar uma cena do final do filme e aí o começo você vai fazer lá no final das filmagens, então pelas filmagens serem muito picotadas o ator precisa saber exatamente qual o estado de espírito do personagem naquela cena que ele vai filmar no dia tal”, explica Luciano Coelho. O cineasta também destaca a fragilidade de usar o próprio corpo para criação, já que muitas vezes ficamos desconfortáveis com nosso próprio corpo. “Imagine quando você escuta sua voz em um gravador, e diz: que voz horrorosa, essa não pode ser minha voz. O ator tem que aprender a trabalhar com isso. O ator cumprindo o seu papel de interpretação é um ser muito frágil, o diretor precisa ser a referência do ator para aquilo que ele está fazendo, porque ele usa a própria imagem a própria voz, com os seus gestos, então ele está em um constante estado de fragilidade”, completa.


Texto: Hellen Albuquerque
Reportagem: Natalia Concentino e Eva Manzana
Edição de imagens: Isabela Bandeira

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Corpo, voz e mente: a preparação do ator



Texto decorado e ensaiado. Cada gesto e olhar sistematizados para transparecer emoções que estão além de si mesmos. A respiração entrecortada, o nervosismo. Uma plateia ansiosa aguarda do outro lado do tecido vermelho, que separa o mundo real e diário das grandes criações teatrais.
Se dá o último dos três sinais sonoros, derivados do Bastão de Molière, anunciando o início do espetáculo.
Não existe mais o ator. Existem, agora, Hamlet, Ophelia, Édipo, Julieta...

Michael Stuhbarg como Hamlet e Lauren Ambrose
 como Ofélia
O palco, no cinema, é estar em frente às câmeras que recortam os gestos e movimentos, focando naquilo em que o espectador deve prender sua atenção. Atuar em cinema é ser mutilado, acreditavam os primeiros atores a migrarem dos palcos para as grandes telas. 

Foi trabalho de D. W. Griffith, um dos pioneiros do cinema e considerado como o criador da linguagem cinematográfica, convencer a sua musa Lillian Gish e outros atores de que os cortes de câmera não os estavam mutilando, que seus braços, pernas e faces continuavam no mesmo lugar físico de antes. Que seus gestos, tão grandiosos no teatro, poderiam agora ser mais singelos. Adaptar os atores de grandes tragédias gregas que tomavam palcos para as telas das câmeras não foi tarefa fácil.

Lilian e Dorothy Gish
É atribuído a Griffith e Lilian, que viria a atuar no primeiro filme do diretor, “O Nascimento de Uma Nação”, a invenção de uma nova forma de atuar no cinema. Do início do cinema mudo para a tecnologia 3D que invade as salas atualmente, um processo de mutação constante vem acontecendo. No entanto, é do final do século XIX que aparece um dos mais usados métodos de interpretação, criado pelo  teatrólogo, diretor e ator russo Constantin Stanislavski. O sistema, como é chamado, é uma das principais sistematizações para o desenvolvimento da interpretação do ator e, consequentemente, muito utilizado no cinema.

Para dar início à atuação, Stanislavski trabalhava sempre com uma suposição. No livro "A Preparação do Ator", publicado pela primeira vez em 1936, exemplificou: "Suponhamos que neste apartamento tenha morado um homem que ficou louco, e levaram-no para um hospício. Se ele tivesse fugido e estivesse atrás daquela porta agora, o que é que vocês fariam?"
  
Valesca Xavier Moura Jorge é atriz, pesquisadora e professora na área de atuação, explica que antes de entrar em cena o ator precisa alinhar corpo, voz e mente. “Seja em teatro, seja em TV, seja em cinema, o que o ator precisa ter antes de entrar em cena é concentração. É o momento em que ele foca no objetivo, no que ele tem que fazer. Muitas vezes em teatro as pessoas se recolhem e ficam quietas no canto, alguns atores de cinema também, outros já preferem uma concentração 'batendo' o texto com outro, mas existe sempre o momento do focar.”

Stanislavski
Segundo o sistema de Stanislavski, é necessário o estudo aprofundado do tempo, país, literatura, psicologia, dicção, entonação e alma do personagem para que assim seja possível criá-lo, como também cuidar do próprio corpo, como citado em sua obra  "A Preparação do Ator": “O grande objetivo é dar vida a um espírito humano e expressá-lo em forma artística. Para viver o papel precisamos estar com nossa aparelhagem física e vocal em perfeitas condições”.

A atriz Monique Benoski, que estuda na Academia de Artes Cênicas Cena Hum, conta que em seu processo de construção procura encontrar características autênticas de cada um de seus personagens. “Eu procuro pensar em como é a personalidade da personagem, qual a sua idade, como ela cresceu, quais são suas influências, por exemplo família e amigos, sua forma de aproveitar o tempo... Isso quando estou criando a personagem que usarei em cena. Aí depois disso penso no corpo e na voz”, conta.

Monique Benoski na peça "Rosa do Mangue"

No vídeo a seguir vemos a preparação dos atores da peça infantil "O Grande Circo Saltimbamcos", em que Monique representa uma galinha.



Ao dar vida a um personagem, o ator se apropria de seu próprio corpo e mente como instrumentos. São suas lágrimas, no palco ou na tela, seu rosto remoendo cada palavra e transparecendo cada emoção. Mas até onde vai o ator e onde começa o personagem? Como separá-los?

Airen Prada Wormhoudt, psicóloga e professora de artes cênicas, explica que em algumas produções é necessário o acompanhamento psicológico como forma de suporte, para manter a saúde mental do ator. Este, porém, é um processo raro no Brasil. “Caso um ator vá representar um psicopata, por exemplo, ele terá que estudar a profundidade psicológica desse personagem para que ele saiba do que está tratando, mas a necessidade de acompanhamento sempre depende muito do ator, de como ele é consigo mesmo, da bagagem que ele tem e da sua estrutura psíquica. Existem atores que não precisam fazer nenhum tipo de acompanhamento porque conseguem separar muito bem o que ele está criando do que ele é. Agora, tem atores que, independente de ser um papel forte ou não, em função da sua estrutura psíquica ser mais frágil, podem se confundir com o que eles constroem”, comenta a psicóloga.

Monique acredita que se utilizar de fatos ocorridos na própria vida para dar emoção ao personagem não é uma boa escolha de interpretação. “Acho que existe muito ator que ao invés de criar motivos para que a tristeza ou a felicidade venham de sua personagem, utilizam fatos da sua vida real. Não acho essa atitude muito profissional, apesar de que possa funcionar para passar a mensagem da cena. Encontrar a alma da sua personagem é o que faz um ator progredir de um trabalho para o outro”, opina.

“O espelho deve ser quebrado, não serve para construção do personagem, pois reflete o exterior e não o interior”,  afirma Stanislavski em sua obra, destacando a importância do contato do ator consigo mesmo. A representação e o eu do ator muitas vezes possuem uma linha tênue, porém há uma linha. “Separar o eu do que eu estou representando é um processo natural, quando você vai construir um personagem, automaticamente já está criando e projetando algo que não existe, é seu enquanto produto da sua criatividade, da sua imaginação e da sua técnica, mas é algo, que pelo bom senso, não é você, é uma outra vida, um outro papel. Claro, repleto de conteúdos que são seus, porque é a sua criatividade, é o seu universo interior, mas é algo externo a você”, finaliza a psicóloga.


Texto: Hellen Albuquerque
Reportagem: Caio Rocha
Vídeo: Eva Manzana
Edição de imagem: Isabela Bandeira Saciotti

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Entre a pipoca e o botão “x”



Como o espectador encara as adaptações feitas entre videogames e filmes, e como o processo de produção influencia nessa visão


Até alguns anos atrás existiam dois universos completamente diferentes dentro do entretenimento: o do cinema e o dos videogames. Ambos necessitam de um processo criativo muito semelhante e, unidos, formam uma das potências que mais ganham destaque na atualidade, mesclando imaginação, emoção e envolvimento e conquistando seu público a cada lançamento no mercado.

Bruno Mikoski e Rodrigo Bellão, diretores de criação da empresa de desenvolvimento de jogos digitais Monster Juice – The Brave Games Studio, afirmam que o número de gamers hoje cresce em ritmo acelerado. Com o maior acesso às tecnologias, a inclusão digital e o lançamento de consoles, como o Nintendo Wii, o preconceito de que jogar é uma atividade apenas de “nerds” desaparece lentamente. Além disso, há atualmente jogos de celulares para quem não costumava jogar. Todos esses fatores contribuem para o aumento deste mercado, que agrada cada vez mais os mais diferentes públicos. “Acredito que os velhos de nossa geração vão ser jogadores. Eu não tenho a menor dúvida disso”, diz Mikoski.


"007: Goldeneye" (1995) foi fielmente adaptado para o game,
se tornando um dos jogos mais vendidos nos anos 90
A partir da década de 90, com a ascensão do mundo dos games, passou a ser comum ver filmes baseados em jogos, como o mundialmente famoso “Lara Croft: Tomb Raider”, e jogos baseados em filmes, como “007: Goldeneye”, que foi um dos jogos mais vendidos nos anos 90, ultrapassando a marca dos US$ 250 milhões apenas nos Estados Unidos.
Consumidores de ambos os produtos já perceberam que o  processo de produção e construção de filmes e games são muito parecidos. Para o diretor da Evolução Filmes, Diego Stavitzki, a convergência entre os dois é natural. “O vídeo game proporciona uma experiência de interação entre jogador e narrativa mais profunda que o cinema, visto o tempo que o jogador fica em contato com o jogo, conhecendo cada vez mais a história e o universo dos personagens. Quando o jogador vê este repertório transportado para as telas do cinema, a identificação é imediata”, afirma.
Stavitzki também acredita que a adaptação de jogos para filmes é um exercício de transporte de ideias que muda apenas de um suporte para outro e ressalta que o elemento principal a ser construído e moldado é o roteiro, um dos itens mais importantes no cinema. “Para mim, o maior desafio é transformar um personagem e uma história superficial em personagem de verdade, com emoções reais, em quem o público acredite e se identifique. É na construção do roteiro que encontraremos o ‘pulo do gato’ ou ‘save the cat’ como diz o autor Blake Snyder. Só assim o filme terá uma carreira de sucesso”.

Stavitzki acredita que adaptações cinematográficas de jogos podem ter sucesso se forem bem executadas. “O sucesso dos filmes baseados em jogos se resumem em uma simples receita: um bom roteiro”. Ele relembra o filme “Lara Croft: Tomb Raider” (2001), no qual a atriz Angelina Jolie dá vida à heroína dos games.  Para ele, o diretor Simon West trabalhou impecavelmente com detalhes característicos do jogo e com a trilha sonora, porém foi um fracasso de bilheterias por conta da expectativa projetada pelo público. “Muitos apontaram que não houve empatia pela personagem interpretada por Angelina com o público e, por isso, o filme não foi o sucesso esperado. A frieza da personagem dentro do jogo não funcionou nas telonas. Parece que o público tem expectativas diferentes nestas duas plataformas”, afirma o diretor curitibano.

O diretor Diego Stavitzki diz que a adaptação Lara Croft: Tomb Raider (2001) foi fiel ao jogo, mas a atuação de Jolie não agradou ao público
O desenvolvimento de uma boa trama é um importante ponto a ser analisado no processo de adaptação de filmes e jogos, afirma Rodrigo Bellão. “O jogador que procura determinado jogo por causa de uma história que já conhece, já tem um laço diferenciado com a trama, diferentemente do jogador que se interessa por um jogo por aspectos como a projeção gráfica e o gameplay, por exemplo, e que demora a ficar entretido com a história de um game”, diz. Ele observa que o mesmo ocorre em produções cinematográficas, onde espectadores que procuram filmes por conhecerem a trama originalmente vinda de um jogo de videogame, esperam assistir e reconhecer os mesmos detalhes, personagens e o ‘feeling’ que o game proporciona ao jogador.
Vinicius Godoy, professor de Jogos Digitais da PUCPR, acredita na existência de filmes que deram muito lucro aos seus produtores por serem baseados em videogames e que ganharam a atenção de jogadores e espectadores. “Um exemplo de filme que se tornou sucesso é o Mortal Kombat, que agradou a visão dos jogadores mais fiéis”, diz. “Os novos jogos da série Mortal Kombat que estão sendo lançados recentemente, passaram a ter histórias mais elaboradas, principalmente para serem possivelmente adaptados para filmes”.


O lendário jogo Mortal Kombat ganhou uma versão cinematográfica que, segundo Vinicius Godoy, agradou aos espectadores e gamers fanáticos
O professor também mostra um fenômeno recente da mescla cinema e games, os chamados ‘filmes interativos’. “Um exemplo de jogo que ganhou fama por ter uma boa trama, uma boa trilha sonora e produção gráfica é ‘Heavy Rain’, da Quantic Dream. A ação se torna quase secundária, pois a trama é muito bem fundamentada”, afirma Godoy. Ele conclui dizendo que o grande desafio do cinema é produzir uma adaptação que não resulte na perda de vínculos entre jogador e jogo e que agrade ao público que não tenha atenção voltada aos games. “O público que cresceu jogando [os games] é muito crítico e observador nesse ponto”, finaliza o professor, que confessa ser um gamer desde pequeno.


O ' filme interativo' Heavy Rain, para Godoy, é um jogo que ganha destaque pela trilha sonora e pela trama, o que faz com que o jogador queira saber qual o final da história

Em suma, é perceptível que, com a fusão do universo cinematográfico e do universo ‘gamer’, as formas de produção de adaptações passam a ser mais elaboradas, garantindo efeitos visuais detalhados, uma trilha sonora emocionante e histórias que têm a capacidade de tirar o fôlego de seu público. A realidade e a ficção andam de mãos dadas nesse conjunto, tornando ainda mais nítida a relação entre o espectador e a tela, e evidenciando os efeitos que um bom roteiro – como disse Stavitzki – podem causar no nosso imaginário.



Texto: Isabela Bandeira Saciotti e Helena Bianchi Góes
Reportagem: Helena Bianchi Góes e Natalia Concentino
Edição de imagens: Isabela Bandeira Saciotti 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Pelo direito de ser

Como o homossexual é representado no cinema e na mídia

De "Café com Leite" (You, Me and Him)

Em tempos de protestos físicos e virtuais que reinvindicam o simples direito de “ser”, a reflexão sobre como o homossexual é representado pela mídia se faz cada vez mais necessária. Já que esta, como formadora de opinião, tem grande papel na construção e desconstrução de preconceitos.

No cinema, o personagem homossexual está presente desde seu início, quando Thomas Edison fazia suas experimentações cinematográficas em 1895. O intitulado "The Gay Brothers" (em português, "Os Irmãos Gays") apresenta dois homens dançando ao som de um violino. Insinuações com a temática gay já podiam ser encontradas em produções de Charles Chaplin, como em “Behind the Screen” (1916) e em alguns curtas de O Gordo e o Magro, considerado por muitos como um casal. Contudo, o cinema perdeu grande parte de sua liberdade artística nos anos 30, quando foi implementado o Código Hays, que condenava o aparecimento de qualquer situação que fosse considerada obscena (inclusive beijos de língua). Embora o termo “homossexual” não fosse utilizado, era enquadrado nas proibições. O código recebeu grande apoio da Igreja Católica e foi adotado pela MPAA (Motion Picture Association of America), sendo alterado apenas em 1968 (é usado até hoje). 



Marcela Lorenzoni, jornalista que desenvolveu o projeto de pesquisa “A representação feminina na mídia televisiva e fotográfica”, aborda a representação de lésbicas e critica as caracterizações presentes em nosso país. “A mídia brasileira ainda está bastante presa a estereótipos - o gay afeminado, bem vestido, meio histérico, que aparece em segmentos de humor. Era o caso do Crô, que fez tanto sucesso na novela Fina Estampa. Ele era uma caricatura, um 'gay' antes de uma 'pessoa'. A lésbica, quando aparece - o que é raro -  costuma ter a postura bem masculinizada também”, explica.

O personagem homossexual, durante muitos anos, foi estereotipado como cômico. Aparecia como um respiro para as histórias: trazia apenas risadas e nenhuma reflexão. Como é o caso de “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), musical estadunidense em que dois homens, ao testemunharem um assassinato pela máfia, se disfarçam de mulheres e se unem a um grupo musical feminino juntamente a Marilyn Monroe para manterem suas vidas. Um deles encontra o amor na figura de um homem milionário. No entanto, o romance aparece em forma de comédia.

Marcela acredita que o simples fato do tema ser abordado já é um avanço. “Os homossexuais podem não estar sendo representados da forma ideal, mas pelo menos estão lá. Ainda falta aprofundar esses personagens e não transformá-los nem em vítimas diárias, nem em palhaços, mas trazê-los com um enfoque diferente”.

Daniel Ribeiro é diretor dos curtas “Eu Não Quero Voltar Sozinho” e “Café com Leite”. Recentemente, está em fase de produção do longa “Todas as Coisas Mais Simples”. Formado pela ECA-USP, dedicou-se a trabalhar com a temática LGBT. “Por muito tempo, os personagens gays ficaram restritos ao estereótipo, o que reforçava muito o preconceito. Hoje em dia, temos uma quantidade enorme de filmes com temática e personagens LGBT que quebram essa ideia de um tipo específico do gay ou da lésbica. Um dos objetivos nos meus filmes era refletir essa diversidade, mostrando como a sexualidade é apenas mais uma das muitas características das pessoas”, comenta Ribeiro.

Cena de "Eu Não Quero Voltar Sozinho"
Nos curtas de Daniel Ribeiro, a sexualidade é apresentada de forma natural e não como o foco principal da trama. Os personagens vivem conflitos universais que trazem identificação com diversos públicos, como a perda de familiares em “Café com Leite” ou o cotidiano de um jovem com deficiência visual e a própria adaptação às suas escolhas pessoais.

Ricardo Dantas, acadêmico de Ciências Políticas da Facinter, vê nessa forma de caracterização um instrumento de conscientização social. "O público do curta é jovem que ainda não tem preconceito enraizado. Se é exposto um relacionamento homossexual suave e bonito como no Eu Não Quero Voltar Sozinho, a visão que generaliza e liga todos os relacionamentos homossexuais à perversão vai perdendo força. Até em quem já tem o preconceito enraizado, a publicidade dos relacionamentos ‘normais’ entre duas pessoas do mesmo sexo tem efeito positivo", afirma Dantas.

O diretor Daniel Ribeiro acredita que a linguagem cinematográfica tem muito a contribuir para a construção de uma sociedade tolerante. “Eu tento abordar o tema de uma forma que possa fazer a mente mais conservadora parar para pensar. Tento retratar a descoberta do amor e da sexualidade da forma mais natural possível. Assim, talvez, os preconceitos sejam questionados”, diz.

Top 3
Filmes com temática homossexual 



Má Educação (2004)
O filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar, conta a história de dois meninos, Ignacio e Enrique, que conhecem o amor, o cinema e o medo num colégio religioso no início dos anos 60.



Milk (2008)
Com direção de Gus Van Sant, é baseado na vida do político e ativista gay Harvey Milk - o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público no estado da Califórnia, comandando campanhas nacionais pelos direitos dos gays.


Madame Satã (2002)
Retrato do célebre transformista João Francisco dos Santos, vivido por Lázaro Ramos. Malandro, presidiário, pai adotivo de sete filhos, homossexual  (conhecido como "Madame Satã") e lendário boêmio da Lapa.







Texto: Hellen Rocha de Albuquerque
Edição de texto: Isabela Bandeira
Edição de imagem: Isabela Bandeira
Imagens: Reprodução

sexta-feira, 15 de março de 2013

Uma nova juventude transviada

Lançamento: Sofia Coppola aposta em história real de adolescentes para filme que estreia no final do semestre 



The Bling Ring (ainda sem tradução para o português), é o novo filme de Sofia Coppola, com previsão de lançamento para o final do primeiro semestre de 2013, já está gerando grande expectativa. O filme é baseado em fatos reais, relatando um episódio que aconteceu em 2009 na Califórnia, nessa época um grupo de adolescentes resolveu roubar mansões de estrelas hollywoodianas como:  Paris Hilton, Orlando Bloom, Lindsay Lohan e Megan Fox, quando o grupo foi finalmente descoberto, já estavam com mais de quatro milhões de dólares em mercadorias. Agora, quatro anos depois, os adolescentes foram condenados e serviram de inspiração para o roteiro e a direção de Sofia Coppola. A diretora escolheu Emma Watson para interpretar a líder desse ousado grupo, a atriz aparece sensual e provocante no trailer  divulgado oficialmente no último final de semana. Um grande contraste com sua conhecida personagem Hermione, presente em todos os filmes da franquia Harry Potter, que trouxe à Emma o reconhecimento mundial. A trama conta também com a participação de Kristen Dunst, Leslie Mann, Israel Broussard e Paris Hilton.


Veja o trailer oficial:

O filme é um novo olhar sobre uma história verídica. Ao se basear no caso dos jovens da Califórnia, Sofia Coppola mostra um grupo de amigos de classe média alta, socialmente privilegiados, que se envolvem em roubos a residências. Os jovens escolhiam como seus alvos grandes personalidades e ao invadirem as casas levavam objetos de valor, com o objetivo de possuir produtos glamourosos e aumentar suas fortunas. O longa não apresenta apenas o lado que a imprensa e a polícia passaram para a população, mas também os fatores que estão envolvidos nesse caso, como a rotina e o comportamento desses jovens, retratando uma certa "rebeldia" que nos faz lembrar de um clássico do cinema norte-americano, Juventude Transviada de 1955.
Parece que muitas coisas permanecem as mesmas desde 1955, a Juventude Transviada de James Dean, em que jovens de classe alta se envolvem em delitos e são levados à prisão, ainda encontra seus adeptos. Os rebeldes "sem causa" continuam a povoar os EUA, e assim  como serviram de base para The Bling Ring, ainda poderão ser inspiração para outros grandes filmes.


Sofia Coppola, 3x4:
Nascida em Nova York, Sofia, hoje com 41 anos, é cineasta e roteirista. Herdou a veia cinematográfica de seu pai, Francis Ford Coppola, internacionalmente reconhecido pela premiada trilogia O Poderoso Chefão (The Godfather), ainda em família, Sofia é prima do ator Nicolas Cage. Sofia Coppola também já trabalhou como atriz, fez participações em filmes como O Poderoso Chefão I e III, em que foi duramente criticada, e "Star Wars Episódio I – A Ameaça Fantasma", mas foi quando se dedicou aos roteiros e à direção que Sofia ganhou destaque. Desempenhando essas funções foi agraciada com o Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original por Encontros e Desencontros (Lost in translation), além de indicações e prêmios em outras premiações como o Globo de Ouro e o Leão de Ouro do festival de Veneza. Seu primeiro roteiro foi o de As Virgens Suicidas, também ganhou destaque pela direção do longa Maria Antonieta, que retrata a história da última monarca francesa e conta também com a atuação de Kirsten Dunst, a atriz têm presença recorrente nas produções da diretora norte-americana.



Texto: Natalia Concentino
Edição: Hellen Albuquerque
Imagem: Isabela Bandeira Saciotti
Créditos de imagem: Tumblr.com/Reprodução

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Quem são Os Miseráveis?

Como a identidade cultural influencia na recepção da crítica e na visão do espectador   


Após uma década sem indicações ao Oscar de melhor filme, os musicais voltaram em cena com o espetáculo de Claude-Michel Shöenberg e Alain Boublil transformado em ópera pela WEST END, (Londres- 1985) metamorfoseado no filme Os Miseráveis, que despertou diferentes opiniões dos críticos. O clássico escrito por Victor Hugo em 1862, agora adaptado por Tom Hooper, não despertou grande interesse no Brasil, seja na mídia impressa ou online, há pouco espaço para comentários, alguns deles chegam a ser totalmente informais. A maioria é negativa, criticando principalmente o longo tempo de duração do filme, os diálogos que são cantados sem grandes intervalos. Andre Barcinski, no site da Folha de S. Paulo, descreveu Os Miseráveis como "a comédia do ano", achando-o "desagradável”,"torturante" e "ridículo". 
 Em entrevista, o fundador da Academia de Artes Cênicas Cena Hum de Curitiba-PR, George Sada, diz que o que mais chamou a atenção foi o status social marcado no figurino, voltando sua atenção para a produção técnica. “Pra muita gente pode ter sido cansativo, mas o filme foi um musical do início ao fim, foi transportado para as telas e isso é uma riqueza de linguagem artística”. 

Assim como brasileiros, os norte americanos concentram suas análises nas escolhas do diretor em relação a parte artística. Lou Menick (New York Post), aponta como falha a filmagem, “o pior de tudo é quando Hooper repetidamente prende seus atores em apertados closes durante os números musicais, praticamente empurrando a câmera nos cantores” (tradução livre). Manohla Dargis (New York Times) destaca o cuidado com a direção de arte, afirma que o filme retoma um aspecto familiar e histórico contando uma lenda de redenção e liberdade. Para a socióloga Rosita Loyola, ao mostrar a busca pela liberdade, o filme traz à tona um dos ideais mais antigos e presentes na cultura americana. “Eles (os americanos) acreditam na idéia de liberdade acima de tudo e isso está presente no filme, mas talvez por não ser uma história que aconteceu nos Estados Unidos, não tenha tido tanta expressividade na premiação do Oscar”. Rosita afirma que a identidade cultural de um povo se faz presente ao assistir um filme, e que o espectador gosta de ver ideais e contextos com os quais se identifica. É notável a diferença de recepção de acordo com o local de origem da critica, enquanto norte americanos e brasileiros focam suas atenções a parte técnica e de produção, europeus se preocupam em como a história que lhes diz respeito foi retratada. 

A identidade cultural e histórica dos franceses em relação a este fato é mais marcante do que a de qualquer observador externo. Em relação aos franceses, Rosita Loyola comenta que eles se identificam muito com o heroísmo, por isso as críticas focaram na representação da obra de Victor Hugo. De acordo com os franceses, a diferença entre ricos e pobres no século XIX e a força da Revolução Francesa, que são os assuntos de destaque abordados por Victor Hugo em sua criação original, são representados no filme de forma superficial e as músicas não tiveram o tamanho que mereciam. O site francês EcranLarge , por exemplo, classificou como um desastre do início ao fim o filme de Tom Hooper. “Fere os olhos e faz sangrar os ouvidos. 02h30min de sofrimento salvo (apenas) por Anne Hathaway. Quanto à realização de Tom Hooper, é um desastre do início ao fim”. O crítico italiano Paolo Mereghetti, (Corriere della Sera) afirma que apenas a rebelião dos jovens e a perseguição Valjean X Javert ficam claras no decorrer do filme. “Toda a ambição de Victor Hugo em contar “tudo sobre o bem e o sobre o mal”, se reduz a esses dois focos”, afirma. 



 Conheça um pouco mais sobre a obra Les Misérables de Victor Hugo: 

A obra retrata a França do século XIX, mais especificamente no período entre a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de 1832. A vida de Jean Valjean é apresentada desde o momento em que ele, condenado por roubar um pão, consegue sua liberdade até a sua morte. Tudo isso dividido em cinco volumes: I – Fantine, II – Cosette, III – Marius, IV - Idílio da Rua Plumet e epopeia da Rua Saint-Denis e V – Jean Valjean. Cada volume conta também a história de outros personagens, como: Fantine, Cosette, a família Thénardier (o casal e os filhos, entre eles Eponine e Gavroche), Marius Pontmercy, Enjolras e Javert.